sao conrado at dawn IN THE MEADOW"

Se os dias, as palavras, os afetos a subirem-me pela face forem generosos e o meu olhar agudo,talvez escreva um poema, um conto. Por ora são anotações esparsas. In the meadow. Ao som do mar.


sexta-feira, 30 de março de 2007

















dai-me


dai-me o oceano nas palavras,
nos olhos.
o sal, a água,
o poema,
o horizonte líquido
a umedecer-me a pele.

dai-me o vento nos cabelos,
o sol na alma,
o corpo mergulhado no sonho.


e poderei morrer amanhã.


silvia chueire


escrito por Silvia Chueire

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sexta-feira, 23 de março de 2007

Árabes - XLI


Jerusalem from the mount of Olives - Frederic Edwin
















jerusalém

ir a jerusalém.
abraçar-te, meu amigo,
conversarmos entre o entusiasmo
do argumento e a alegria
do encontro

novamente de volta à mesquita.
tu a orares ao meu lado
ou eu elevada por um só deus,
entrando na tua sinagoga
- meu corpo nas pontas dos pés,
a respirar respeito -
crentes na melhor das crenças,
a que não separa humanos.

nossas mãos e nosso riso abraçados
minha terra sem muros em torno,
tua terra sem mísseis prontos.
a vida falando alto,
sem promessas, apenas lá.
a afagar a paz.


silvia chueire

escrito por Silvia Chueire

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domingo, 18 de março de 2007











cair


o céu cai ao chegar a noite
sobre suas mãos vazias.

põe-se a não dizer palavras,
a cegar os olhos para não as ler.
- precisa esquecê-las,
dizer que fiquem com ele,
onde não o veja .

não é dela o corpo,
curvas, pele
- ainda são dele .
só o desespero lhe pertence.

nem o andar esguio de um gato
anestesia seu corpo esquadrinhado
pela dor.
o grito tomba-lhe ao colo.

um trompete, em jazz,
rasga o ar,
apenas seus olhos afundam
no escuro.



silvia chueire

escrito por Silvia Chueire

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segunda-feira, 12 de março de 2007


cézanne - the strangled woman






















insanidade

lembro-me da tua insanidade
teus olhos cristalizados,
tuas mãos em garra.

não se esquece a ira a golpear-nos
com palavras,
ou o dia fraturado pela voz,
elevada à potência n.

a escorrer-te pela face,
pelos gestos,
o desprezo.
teu desprezo
pelo humano
a desvelar o caráter do homem.

tu a apoderares-te dos outros,
a usá-los,
meros objetos a passarem-te pela vida.

lembro-me do mal
infiltrado nas tuas palavras
habitando com elas
as mãos dadas com os dias.

lembro-me.
é preciso não esquecer
os dias negros.
é preciso não esquecer a loucura.



silvia chueire

escrito por Silvia Chueire

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domingo, 4 de março de 2007

Árabes - XXXIX



















esquecer

sob a videira meus olhos
vêem claro
as tuas palavras em concha
sobre os meus seios.

sob a videira, amado,
o amor é maior que nós
nas uvas que pendem,
nas folhas que ocultam.

sob a videira, esquecer
é uma palavra estranha,
feito morrer.


silvia chueire

escrito por Silvia Chueire

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