terça-feira, 10 de julho de 2007

ao fio da voz


desfez-se o mundo
no assombro da tua voz afiada
cortando a noite.
e caíram todas as coisas:
meu corpo entregue ao teu,
os gestos que te esperavam,
teus olhos pedintes
e braços a encerrarem o amor,
nossas noites indormidas,
os corpos a rirem-se
debruçados no vinho
e na música
- todas as coisas.

ainda te procuro.
vejo-te nos lugares que tomaste para ti,
toco-lhes e encontro a tua ausência.

minha voz nada diz,
as palavras coladas à mágoa
cristalizam-se nos lábios.



silvia chueire

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