sao conrado at dawn IN THE MEADOW"

Se os dias, as palavras, os afetos a subirem-me pela face forem generosos e o meu olhar agudo,talvez escreva um poema, um conto. Por ora são anotações esparsas. In the meadow. Ao som do mar.


sábado, 15 de dezembro de 2007


vício


a falta é um vício
a invadir a pele.
um vazio a cantar sem trégua

chamo por ela
como se apelasse,
a um destino imutável.


silvia chueire

escrito por Silvia Chueire

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2 Comments:




Blogger Putty Cat said...

Agora podes encontrar-me aqui:

http://oladobdalua.blogspot.com/

Beijo

17/12/07 15:30  



Anonymous Anônimo said...

Dorme então nas profundezas do verde com algas azuis sempre efervescendo de vida sempre reagindo à luz mesmo que ínfima que atravessa a persiana e levanta sob a contemplação a poeira dos sentimentos a poeira dos livros e todas as letras adormecidas e as palavras eternas. Dorme sossegada meu anjo de pó que se esculpe sempre amanhecendo diferente num sorriso novo
e dizes
- Não imaginas como me sinto longe de tudo deste lado do oceano. De tudo o que te diz respeito.
e eu respondo-te com um beijo na face um beijo na testa um beijo no pescoço
onde a pele é mais frágil e mais próxima da tua respiração
- O destino mudou. O silêncio impuro estilhaçou-se na penumbra do quarto ao semi-cerrar os olhos quando me beijaste
e eu incapaz de dizer alguma coisa disse
- Vou fazer-te um café. Com canela.
e tu fechaste os olhos deitaste o livro que estavas a ler sobre o peito as páginas voltadas para ti como se te aquecessem
e desceu pela maçã do rosto uma lágrima de paz porque sabias que o oceano dormia nos teus olhos verdes
e eu dormia nele disfarçando-me acordado e vivendo
-Trago-te bolachas e goiabas que trouxe agora da rua
e eu fechei também os olhos parando no corredor a caminho da cozinha olhando velhas fotografias de gente antiga sobre um móvel antigo e reparando em como o azul da parede parecia realmente antigo e ao mesmo tempo eterno como se perdurasse para contar tudo aquilo que as palavras
bem as palavras nossas
não soubessem contar. Parecia-me um azul de Goa ou da Baía uma coisa dos tempos coloniais uma mistura tropical uma morte das coisas más no encontro das pessoas das civilizações dos povos. No fundo uma nova vida. Uma mistura de sangues que aparecia aqui e ali por debaixo da pintura deixado à vista pela queda de algum azul de muito sangue naquela chão que deu o tijolo a edificação de um país assim. Esse vermelho desbotado contrastando com o mar
mostrando o barro o pó e que tudo se transforma e as casas têm gente nas paredes histórias que nos unem que nos obrigam à felicidade à nostalgia a viver com o rosto encostado à terra ao peito dos outros. Segui o aroma das goiabas
para te reencontrar na volta já a dormitar sob um sol mais intenso mas sempre recortado pela tábuas que resguardavam o nosso olhar sobre o mundo.

18/12/07 17:05  



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