sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Todos os dias

Todos os dias murmuras uma prece,
os lábios concentrados
em movimentos miúdos.

Todos os dias dizes seu nome sem perceberes.
Gravado na pedra da memória,
ele te vem à boca,
em chamas.

Todos os dias estremeces
a despeito da tua indiferença.
Inconfidente,
teu corpo te lembra que existes.

Silvia Chueire

2 comentários:

Ramiro Conceição disse...

O LEGADO DA ESPERANÇA
by Ramiro Conceição


Naquele dia fiz – feliz –
um poema que ainda diz:

“ Me dêem uma janela,
uma simples janela,
que redescubro o Universo.”

Assim, para mim, caro ouvidor,
maior valor tem uma janela
que um império adjacente a ela.
Ainda mais:

descobri no templo do tempo que
uma janela pode ser maior do que
um bilhão... – delas!;
descobri que um livro livre, um canto,
nasce na janela duma folha em branco;
com saudável ironia, descobri
que a vida é uma janela repleta
de memórias que, inexoravelmente,
serão esquecidas no fim da história.

Logo, o único legado,
as janelas desabotoadas,
são as sombras deixadas
em pegadas
pela Esperança que voou
em noites e dias sob o Sol.



PS: um abraço para você, Sílvia, e também para o Assim(Francisco Coimbra).

FC disse...

A VIDA NA LÂMINA
«na janela duma folha em branco»,
Ramiro da Conceição

abro as portadas dos verso
para declamar ao Universo sons
das palavras deixadas

nítidas como os punhais
quando se cravam

de modo a sentir a vida na lâmina
Assim

A"braços" - ao poeta e à poetisa!

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