sao conrado at dawn IN THE MEADOW"

Se os dias, as palavras, os afetos a subirem-me pela face forem generosos e o meu olhar agudo,talvez escreva um poema, um conto. Por ora são anotações esparsas. In the meadow. Ao som do mar.


sábado, 24 de junho de 2006


Poeta ao espelho


Deslizou um rio nos teus braços
e não percebeste
as margens da água estendidas.
E não viste a líquida pele
encostada à tua.

Brandiste a palavra,
lâmina contra o dia.
Teu olhar colado ao espelho
ignorou a flor sinuosa
oferecida a ti.

Não é impune o gesto
embaraçado na arrogância,
no amor a si próprio.
Não encontrarás palavras
na imagem virtual,
apenas eco.

Delineias teu destino :
absoluta solidão.

Sem lábios que te acolham.

Silvia Chueire

escrito por Silvia Chueire

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4 Comments:




Anonymous Jorge A. S. said...

Não é fácil articular o lirismo e a violência, a matéria que tece a própria vida, com esta mestria...

Abraços,

Jorge

25/6/06 08:42  



Blogger 朝川栄一 [Asakawa Eiichi] said...

silvia,

isso é muito bom. muito bom mesmo...

"rio nos teus braços
(...)
as margens da água estendidas."

um beijo só por isso! (como se o resto não fosse também muito!)

25/6/06 09:20  



Blogger hfm said...

Que saudades que eu tinha da tua poesia tão sibilinamente forte!

25/6/06 10:54  



Blogger Ilidio Soares said...

Impune, nem o ódio fica. Mas nisso aqui eu levanto outro teorema: "delineias teu destino:absoluta solidão" . Quer saber? Tem sempre gente pronta e nada arrogante pra nos ajudar a desenhar...esse tal de futuro...que tá aqui...bem colado aos espelho dessas coisas que a gente acha absoluta.
bjos
Ilidio

26/6/06 14:35  



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