tens as mãos precárias
a marcarem a memória
humanamente física do meu corpo
não as consigo tirar da pele
ainda que o oceano seja imenso
e o tempo absurdamente presente
haverá uma ironia vaga
na vitória da matéria ?
silvia chueire
Se os dias, as palavras, os afetos a subirem-me pela face forem generosos e o meu olhar agudo,talvez escreva um poema, um conto. Por ora são anotações esparsas. In the meadow. Ao som do mar.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
tempo
tempo I
colhe um sorriso sobre o tempo,
não te esqueças.
ninguém dirá em sã consciência
que a praia iluminada era eu,
mas tu sabes.
tempo II
não fales do teu tempo
fales das coisas a despeito dele;
em breve sobrevirá a noite,
as mãos e a boca paralisadas.
e tu serás
e não serás o mesmo.
silvia chueire
colhe um sorriso sobre o tempo,
não te esqueças.
ninguém dirá em sã consciência
que a praia iluminada era eu,
mas tu sabes.
tempo II
não fales do teu tempo
fales das coisas a despeito dele;
em breve sobrevirá a noite,
as mãos e a boca paralisadas.
e tu serás
e não serás o mesmo.
silvia chueire
sábado, 6 de dezembro de 2008
amor?
deito-me sobre tantas coisas inúteis
e me pergunto o que valerá
todo o esforço?
este poema banal
- qualquer deles -
trata-se de traduzir o intraduzível?
a avalanche de microacontecimentos
despencando pelo nosso dorso,
a pele respondendo elétrica;
entre os dedos a escapar-nos;
sob os olhos,
através dos nossos sexos,
e do cataclismo do gozo,
dos corpos,
ou dos pensamentos, que correm
à busca de significado.
o que valerá a minha presença sem sentido
neste mar de sentidos a entrechocarem-se,
neste caos, sem linguagem que o signifique
a não ser o amor que vivi,
vivo,
viverei?
silvia chueire
e me pergunto o que valerá
todo o esforço?
este poema banal
- qualquer deles -
trata-se de traduzir o intraduzível?
a avalanche de microacontecimentos
despencando pelo nosso dorso,
a pele respondendo elétrica;
entre os dedos a escapar-nos;
sob os olhos,
através dos nossos sexos,
e do cataclismo do gozo,
dos corpos,
ou dos pensamentos, que correm
à busca de significado.
o que valerá a minha presença sem sentido
neste mar de sentidos a entrechocarem-se,
neste caos, sem linguagem que o signifique
a não ser o amor que vivi,
vivo,
viverei?
silvia chueire
terça-feira, 18 de novembro de 2008
névoa
uma névoa de pestanas
e sentidos
vêm-me os olhos,
quando levantas suavemente
o lençol
que me cobre.
tua mão, o tecido,
são o poema a percorrer meu corpo.
silvia chueire
e sentidos
vêm-me os olhos,
quando levantas suavemente
o lençol
que me cobre.
tua mão, o tecido,
são o poema a percorrer meu corpo.
silvia chueire
sábado, 1 de novembro de 2008
tentação
às vezes escreves um verso,
na tentação dos afetos te escaparem
pelos dedos.
não, pensas.
teus versos hão que refletir
apenas a vida que sobe
pelas escarpas de granito
e cresce entre as folhas das árvores.
mas o que fazer
se a ternura derrama-te pelos olhos?
silvia chueire
na tentação dos afetos te escaparem
pelos dedos.
não, pensas.
teus versos hão que refletir
apenas a vida que sobe
pelas escarpas de granito
e cresce entre as folhas das árvores.
mas o que fazer
se a ternura derrama-te pelos olhos?
silvia chueire
terça-feira, 21 de outubro de 2008
descansarei
o mar e a música moura
impregnando as paredes
a torre antiga da igreja esbatida ao sol
e a casa abandonada a esperar.
um dia lá descansarei, pensaste.
silvia chueire
impregnando as paredes
a torre antiga da igreja esbatida ao sol
e a casa abandonada a esperar.
um dia lá descansarei, pensaste.
silvia chueire
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
pequeno pássaro
a mão é um pequeno pássaro
tocando a flor de laranjeira
pássaro e flor:
poema inesperado desabrochando
sob o sol nascente
silvia chueire
tocando a flor de laranjeira
pássaro e flor:
poema inesperado desabrochando
sob o sol nascente
silvia chueire
domingo, 28 de setembro de 2008
inesqueço
a visão do teu sorriso
pousado nos meus olhos
nas minhas mãos
a calma a fúria
o desejo marítimo
nos corpos banhados de luz
silvia chueire
pousado nos meus olhos
nas minhas mãos
a calma a fúria
o desejo marítimo
nos corpos banhados de luz
silvia chueire
domingo, 21 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
partido
há no sorriso partido uma tristeza de punhal.
pássaro a bater-se contra o vidro.
o corpo contra a parede
se pergunta qualquer coisa,
todas as coisas.
em vão.
a mão que naufraga o amor
nada responde.
silvia chueire
pássaro a bater-se contra o vidro.
o corpo contra a parede
se pergunta qualquer coisa,
todas as coisas.
em vão.
a mão que naufraga o amor
nada responde.
silvia chueire
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
de sede
meu lugar de sede
se alça sobre o tempo
e diz apenas um nome,
uma água como se fosse nome,
um nome feito um contraditório,.
silvia chueire
se alça sobre o tempo
e diz apenas um nome,
uma água como se fosse nome,
um nome feito um contraditório,.
silvia chueire
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Deserta
Caminhas na tua angústia enclausurada
no apartamento às três e cinco da manhã
e dizes : basta!
A cidade e o mar te olham desesperançados,
teus olhos se encontram com os deles a cada poema
que te escapa .
O sangue sobe-te à face,
não sabes se estás zangado
ou triste.
Algo te martela a pele
a pedir-te expressão,
sem possibilidades.
Não, dizes. Basta!
Mas dizer basta não te acalma a inquietude,
desejas o poema.
Afinal, o que é o poema
senão a tua voz a mostrar-te
que há vida ?
Calas-te.
Nada podes fazer,
não sabes onde se encontra o poema;
sequer sabes onde te encontras
na vida repentinamente deserta.
Silvia Chueire
no apartamento às três e cinco da manhã
e dizes : basta!
A cidade e o mar te olham desesperançados,
teus olhos se encontram com os deles a cada poema
que te escapa .
O sangue sobe-te à face,
não sabes se estás zangado
ou triste.
Algo te martela a pele
a pedir-te expressão,
sem possibilidades.
Não, dizes. Basta!
Mas dizer basta não te acalma a inquietude,
desejas o poema.
Afinal, o que é o poema
senão a tua voz a mostrar-te
que há vida ?
Calas-te.
Nada podes fazer,
não sabes onde se encontra o poema;
sequer sabes onde te encontras
na vida repentinamente deserta.
Silvia Chueire
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
o tédio
o tédio pode ser um vício
e a TV
e as pernas sobre o sofá da sala
- emaranhadas nos jornais
não lidos –
e os cabelos desesperadamente
em desalinho
- absoluta falta de música –
e o círculo repetitivo dos dias
silvia chueire
e a TV
e as pernas sobre o sofá da sala
- emaranhadas nos jornais
não lidos –
e os cabelos desesperadamente
em desalinho
- absoluta falta de música –
e o círculo repetitivo dos dias
silvia chueire
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
o sol
o sol nascia no meu peito
iluminando-me a face,
lembras-te?
podia(s) senti-lo a tocar-me a pele.
podia(s) sabê-lo
no sorriso mais livre
que jamais me aconteceu.
silvia chueire
iluminando-me a face,
lembras-te?
podia(s) senti-lo a tocar-me a pele.
podia(s) sabê-lo
no sorriso mais livre
que jamais me aconteceu.
silvia chueire
terça-feira, 29 de julho de 2008
puro
há as folhas elevadas
sobre o cinza da tarde
os pensamentos aquecidos
pelo mormaço
olhas em torno
sem suspeitar do mundo
- por instantes tudo é puro -
silvia chueire
sobre o cinza da tarde
os pensamentos aquecidos
pelo mormaço
olhas em torno
sem suspeitar do mundo
- por instantes tudo é puro -
silvia chueire
domingo, 27 de julho de 2008
um silêncio
há um silêncio escavado
no meio da pedra,
silêncio escavado
no meio da vida.
tão fundo, tão fundo,
é um grito .
silvia chueire
no meio da pedra,
silêncio escavado
no meio da vida.
tão fundo, tão fundo,
é um grito .
silvia chueire
sexta-feira, 18 de julho de 2008
hoje
tua alma estremecia
em meio à música de ontem,
o horizonte era ritmo e sol.
hoje é um dia suspenso,
assombra-te o silêncio,
a ausência de gestos,
o chumbo dos dias,
o lugar comum.
só o que tens são palavras,
a alma escapou-te.
silvia chueire
em meio à música de ontem,
o horizonte era ritmo e sol.
hoje é um dia suspenso,
assombra-te o silêncio,
a ausência de gestos,
o chumbo dos dias,
o lugar comum.
só o que tens são palavras,
a alma escapou-te.
silvia chueire
terça-feira, 8 de julho de 2008
reconhecer
um corpo lembra com exatidão
outro corpo.
reconhece-o por sobre o tempo,
quando aquele é seu lugar definitivo.
silvia chueire
outro corpo.
reconhece-o por sobre o tempo,
quando aquele é seu lugar definitivo.
silvia chueire
quinta-feira, 3 de julho de 2008
sob as pálpebras
um mundo sob as pálpebras
a agitar-se na madrugada
palavras gestos
interrogações
e o teu silêncio
angústia e memória
a se atirarem incessantes
no lago dos olhos
silvia chueire
a agitar-se na madrugada
palavras gestos
interrogações
e o teu silêncio
angústia e memória
a se atirarem incessantes
no lago dos olhos
silvia chueire
sábado, 21 de junho de 2008
tornar-se
a pétala desdobra
sua canção acetinada
e rubra
contra o sol
a nascer dentro dela
torna-se uma rosa
quando me toca os olhos
silvia chueire
sua canção acetinada
e rubra
contra o sol
a nascer dentro dela
torna-se uma rosa
quando me toca os olhos
silvia chueire
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