terça-feira, 13 de outubro de 2009

não sucumbir

não sucumbir após anoitecer:
beber as palavras da memória,
viver no ápice da pulsação

- o sopro do dia roçando-te a face
a cada momento.


silvia chueire

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

bruto

o azul bruto da noite é um abismo:
cala-me a voz
ou a desata.


grito ou silêncio absoluto,
poema ou circunstância,

o azulnegro da noite bate no meu peito.


silvia chueire

sexta-feira, 3 de julho de 2009

essência

há um blues traçado
entre as minhas palavras
e as minhas mãos,
a equilibrar-se frágil como lágrima.

lamento e riso tocam as minhas pálpebras,
ritmo e desconsolo apontam caminhos
entre os meus cabelos.

deixo-me levar.


silvia chueire

segunda-feira, 13 de abril de 2009

no verão

chove ainda,
o verão se aproxima lentamente.

a cidade se agarra às cores,
respira-as;
cola-se aos azuis, verdes,
vermelhos,
pega-as com cuidado.
vida a depender delas.

o verão é um dos poemas da cidade.

o povo bebe de má vontade
esta chuva fina a molhar-lhe os pés
e o olhar.
espera pela canção das cores e do sol,
dos risos alagados pelo mar,
do suor a fazer brilharem os corpos
e o desejo.

naturalmente.


silvia chueire

quarta-feira, 4 de março de 2009

Março

A insônia deposita seus olhos lunares sobre mim
e diz um verso distante
com todo o oceano de permeio. E o trabalho,
as dúvidas, o grito claro da angústia,
a música desaparecida
da tua voz a me dizer alguma coisa, o tempo.


Março é chegado.
Tem uma força que me custa resistir.
Sou demasiado pequena,
frágil em meio às ondas.

Às vezes a morte parece tão próxima,
tudo tão subitamente fútil.
Às vezes espero.

Março. De olhos postos em mim.

Silvia Chueire

domingo, 8 de fevereiro de 2009

vitória

tens as mãos precárias
a marcarem a memória
humanamente física do meu corpo

não as consigo tirar da pele
ainda que o oceano seja imenso
e o tempo absurdamente presente

haverá uma ironia vaga
na vitória da matéria ?


silvia chueire


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

tempo

tempo I

colhe um sorriso sobre o tempo,
não te esqueças.
ninguém dirá em sã consciência
que a praia iluminada era eu,
mas tu sabes.


tempo II

não fales do teu tempo
fales das coisas a despeito dele;
em breve sobrevirá a noite,
as mãos e a boca paralisadas.
e tu serás
e não serás o mesmo.


silvia chueire

sábado, 6 de dezembro de 2008

amor?

deito-me sobre tantas coisas inúteis
e me pergunto o que valerá
todo o esforço?

este poema banal
- qualquer deles -
trata-se de traduzir o intraduzível?

a avalanche de microacontecimentos

despencando pelo nosso dorso,
a pele respondendo elétrica;
entre os dedos a escapar-nos;
sob os olhos,
através dos nossos sexos,
e do cataclismo do gozo,
dos corpos,
ou dos pensamentos, que correm
à busca de significado.

o que valerá a minha presença sem sentido
neste mar de sentidos a entrechocarem-se,
neste caos, sem linguagem que o signifique
a não ser o amor que vivi,
vivo,
viverei?

silvia chueire

terça-feira, 18 de novembro de 2008

névoa

uma névoa de pestanas
e sentidos
vêm-me os olhos,
quando levantas suavemente
o lençol
que me cobre.

tua mão, o tecido,
são o poema a percorrer meu corpo.


silvia chueire

sábado, 1 de novembro de 2008

tentação

às vezes escreves um verso,
na tentação dos afetos te escaparem
pelos dedos.

não, pensas.
teus versos hão que refletir
apenas a vida que sobe
pelas escarpas de granito
e cresce entre as folhas das árvores.

mas o que fazer
se a ternura derrama-te pelos olhos?


silvia chueire

terça-feira, 21 de outubro de 2008

descansarei

o mar e a música moura
impregnando as paredes
a torre antiga da igreja esbatida ao sol
e a casa abandonada a esperar.

um dia lá descansarei, pensaste.


silvia chueire

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

pequeno pássaro

a mão é um pequeno pássaro
tocando a flor de laranjeira

pássaro e flor:
poema inesperado desabrochando
sob o sol nascente


silvia chueire

domingo, 28 de setembro de 2008

inesqueço

a visão do teu sorriso
pousado nos meus olhos
nas minhas mãos

a calma a fúria

o desejo marítimo
nos corpos banhados de luz


silvia chueire

domingo, 21 de setembro de 2008

cacela


mar elevado contra o azul
e o cal das paredes iluminadas
sob o silêncio das buganvílias.

uma palavra antiga
soprada sobre os meus ombros;
a redenção súbita.


silvia chueire


segunda-feira, 15 de setembro de 2008

partido

há no sorriso partido uma tristeza de punhal.
pássaro a bater-se contra o vidro.

o corpo contra a parede
se pergunta qualquer coisa,
todas as coisas.

em vão.
a mão que naufraga o amor
nada responde.

silvia chueire

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

de sede

meu lugar de sede
se alça sobre o tempo
e diz apenas um nome,
uma água como se fosse nome,

um nome feito um contraditório,.


silvia chueire

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Deserta

Caminhas na tua angústia enclausurada
no apartamento às três e cinco da manhã
e dizes : basta!
A cidade e o mar te olham desesperançados,
teus olhos se encontram com os deles a cada poema
que te escapa .

O sangue sobe-te à face,
não sabes se estás zangado
ou triste.
Algo te martela a pele
a pedir-te expressão,
sem possibilidades.
Não, dizes. Basta!

Mas dizer basta não te acalma a inquietude,
desejas o poema.

Afinal, o que é o poema
senão a tua voz a mostrar-te
que há vida ?

Calas-te.
Nada podes fazer,
não sabes onde se encontra o poema;
sequer sabes onde te encontras
na vida repentinamente deserta.

Silvia Chueire

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

o tédio

o tédio pode ser um vício
e a TV
e as pernas sobre o sofá da sala
- emaranhadas nos jornais
não lidos –

e os cabelos desesperadamente
em desalinho
- absoluta falta de música –

e o círculo repetitivo dos dias

silvia chueire

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

o sol

o sol nascia no meu peito
iluminando-me a face,
lembras-te?
podia(s) senti-lo a tocar-me a pele.

podia(s) sabê-lo
no sorriso mais livre
que jamais me aconteceu.


silvia chueire

terça-feira, 29 de julho de 2008

puro

há as folhas elevadas
sobre o cinza da tarde
os pensamentos aquecidos
pelo mormaço

olhas em torno
sem suspeitar do mundo

- por instantes tudo é puro -


silvia chueire

domingo, 27 de julho de 2008

um silêncio

há um silêncio escavado
no meio da pedra,

silêncio escavado
no meio da vida.

tão fundo, tão fundo,
é um grito .


silvia chueire

sexta-feira, 18 de julho de 2008

hoje

tua alma estremecia
em meio à música de ontem,
o horizonte era ritmo e sol.

hoje é um dia suspenso,
assombra-te o silêncio,
a ausência de gestos,
o chumbo dos dias,
o lugar comum.

só o que tens são palavras,
a alma escapou-te.



silvia chueire

terça-feira, 8 de julho de 2008

reconhecer

um corpo lembra com exatidão
outro corpo.

reconhece-o por sobre o tempo,
quando aquele é seu lugar definitivo.

silvia chueire

quinta-feira, 3 de julho de 2008

sob as pálpebras

um mundo sob as pálpebras
a agitar-se na madrugada

palavras gestos
interrogações
e o teu silêncio

angústia e memória
a se atirarem incessantes
no lago dos olhos

silvia chueire

sábado, 21 de junho de 2008

tornar-se

a pétala desdobra
sua canção acetinada
e rubra
contra o sol
a nascer dentro dela

torna-se uma rosa
quando me toca os olhos


silvia chueire

sábado, 14 de junho de 2008

é noite

a lua deitada no Tejo
abre a estrada delirante ao poema
quando a vida bate às nossas costas,
rápida,
e temos palavras coladas a nós.

o vinho faz subirem as vozes
no meio da noite
e o afeto nos ilumina.

súbito tudo parece resolvido,
nossas mãos dadas cantam na desordem do mundo.


silvia chueire

sábado, 7 de junho de 2008

o medo nas mãos

a mulher com o medo nas mãos,
na vida é apenas uma chama frágil
a esperar que o mundo lhe consuma.
o medo apertado na garganta,
a voz inexistente.

cantam os pássaros,
tudo está aceleradamente de passagem.


silvia chueire

sexta-feira, 30 de maio de 2008

sobre o corpo

ainda o corpo domina a cena
fala, diz o poema,
estende-te no desejo,
eleva-te na ternura,
na tua razão de ser corpo.

vive, diz o poema,
acima do que é banal
e pouco e raso.
são estes os dias
nos quais viver tem significado.

liberta-te, diz o poema,
e ama.
este é o teu destino.


silvia chueire

quarta-feira, 21 de maio de 2008

mentiras

como calar a voz, o corpo, a vida,
se tudo que bate no meu peito
é assombroso e vibra?

como inventar caminhos,
tecer estratégias,
se o desejo, a pele, a angústia,
que são meus são teus?

um dia eu paro de escrever poemas.

por ora faço assim:
digo mentiras.


silvia chueire

paris

para minha mãe

tenho esta cidade geneticamente
pregada na alma
revê-la é sorrir contigo,
cúmplice,
a cidade a abraçar-nos.

e minha súbita alegria
é também tua.

silvia chueire

segunda-feira, 5 de maio de 2008

a cidade

a cidade sobe-me pelos dedos
e escreve o poema

canta uma canção ao sol
que surge tímido
entre as teclas dos acordeons
e as torres elevadamente límpidas das igrejas


silvia chueire

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Diria o mar

Não sei como dirias este mar
onde o sol de entre as nuvens se absorve
em clamores de espuma luminosa
N.D.




Diria o mar como um deslimite,
um universo onde criaturas voam
um bailado de liberdade.
Nós as olhamos,
feito seres impotentes.
Olhamos para cima
as ondas que se elevam e despencam.

Netuno tem um reino
que divino, mas humano, nos entrega
incondicionalmente.
Nunca sabemos bem o que fazer com ele,

a grandeza a erguer-se ou mergulhar
aos nossos olhos pequenos
.


Diria o mar como uma imensidão,
acima e abaixo dos desertos,
das rochas,
da terra onde bate incessante
e à qual pertencemos
tão breves quanto a chama de uma vela.


Silvia Chueire


quarta-feira, 23 de abril de 2008

o sol

elevamo-nos solares
algum dia,
em alguma terra habitada pelas oliveiras.

tinhas as mãos cheias de mim
aproximavas teus lábios dos meus cabelos
e me dizias tudo,
depois depositava-os nos meus ombros.

éramos o sol ,
a exaltação da vida.


silvia chueire

segunda-feira, 14 de abril de 2008

há um corpo

há um corpo à tua espera
um corpo e um conjunto de signos
nas mãos espalmadas
a te oferecerem o riso,
as avencas na pele,
o perfume.

há um corpo, um copo de vinho
ao pé da lareira,
no silêncio do lume.

silvia chueire

sexta-feira, 11 de abril de 2008

um sonho

era um sonho leve
um sonho
xxxxxum pássaro de asas de fogo

era um sonho em combustão
suspensos sobre ele
xxxxxos corpos marejados

era um sonho leve
podia-se
carregá-lo com alegria

a um pássaro assim
não se cortam
xxxxxas asas
não se entrega
xxxxxà própria sorte

era um pássaroxxxxeste sonho
e sua conseqüência
em vôo
xxxxxa culminar no espaço

éramos nós
percebi claramente

xxxxxantes de morrer

silvia chueire

segunda-feira, 7 de abril de 2008

domingo

domingo os meus olhos dormem de ti
as horas andam lentamente sob a chuva

adormecida a urgência
o mundo descansa pacífico

- quase não respira -


silvia chueire


domingo


domingo mis ojos se duermen de ti
las horas caminan despacio bajo la lluvia

adormecida la urgencia
el mundo descansa pacífico

- casi no respira -

silvia chueire



quinta-feira, 3 de abril de 2008

meu país

meu país era uma alma desolada
e funda
um corpo esquecido em meio
aos tamborins do samba.


silvia chueire

segunda-feira, 31 de março de 2008

Christian McLeod - the Window














ao fim do inverno

tomou o tanto na floração das cerejeiras
entregou-se ao seppuku

no brilho da lâmina
restou sua desonra

sobre as flores
fulgia um templo


silvia chueire

quinta-feira, 27 de março de 2008

dois poemas curtos

cimitarra

a lua é uma cimitarra
rasga o céu
sangra no mar

tudo mais
é silêncio


silvia chueire



plausível

a sombra da tua ausência
a conversar comigo
na hora inusitada do dia

como se fosse ela
- ou eu? -

a (ir)realidade mais plausível

silvia chueire

domingo, 23 de março de 2008

pássaros e peixes

nossas bocas mergulhadas,
nossos sexos,
elevando-nos
a pássaros ou peixes
no corte agudo do tempo.


silvia chueire

quinta-feira, 20 de março de 2008

dois poemas curtos

lembrança


às vezes a tua lembrança é suave
apenas pousa na tarde
e acaricia a minha pele.


silvia chueire



desalento

quantos corpos percorrerás
desalentado
por não me encontrares
neles?


silvia chueire

segunda-feira, 17 de março de 2008

encontro

meu corpo é líquido
a água é seu meio natural
não seu habitat
ou um retorno no tempo

o mergulho do corpo na água é o encontro
a indizível sensação de pertinência


silvia chueire

domingo, 16 de março de 2008

um poema de 2004

se

se todas as palavras forem gestos
e todos os gestos, corpo e alma
e todo corpo e alma for delírio
e todo delírio, gozo
e todo gozo for abismo
e todo abismo, nossa natureza
e toda natureza for palavras

e todas as palavras novamente gestos
e todos os gestos, canções
e todas as canções, amor
e todo o amor for vida
e toda vida for suspiro
e todos os suspiros, sentimento
e todo sentimento, poema
e todo poema, o sentido
ajoelhado frente à brevidade
de todas as coisas


aí então, tudo terá valido a pena


silvia chueire

quarta-feira, 12 de março de 2008

hibiscos

hibiscos-ismael-forum click gratis


















a flor entreaberta e rósea do hibisco
entregue ao verde das folhas

fascínio e delicadeza
a se abrirem para o mundo


silvia chueire


quinta-feira, 6 de março de 2008

nem uma palavra

nem uma palavra se move
entre as minhas mãos,
nem acena um gesto;
o silêncio é uma longa noite sem lua.

ladram lá fora os cães
inquietos com o escuro
e as sombras que se movem no escuro
à luz escassa de uma janela solitária.

cá dentro ladra a angústia.
na calada das horas
mesmo o pensamento é furtivo.
tudo é ausência, sem recurso.


silvia chueire

Noite com lua sobre a Rocinha

silvia chueire-câmera de 2.0 megapixel

Crepúsculo na praia de São Conrado


















fotografia tirada com o celular ( apenas 2.0 mega pixel)

domingo, 2 de março de 2008

dois poemas breves

tocar

tens as mãos não-mãos
a língua as palavras
o sonho
que me tocam
tanto

e tão
inevitavelmente


silvia chueire



jasmins


é madrugada, o verão ignora
que o inventamos
e o inesperado perfume dos jasmins
cola-se às calçadas, às pessoas,
desatando a memória de outras noites.

no sorriso do reencontro
com a cidade, o encantamento.


silvia chueire

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

alegria

o poema
tantas vezes hesita,
tantas vezes estremece nas minhas mãos
a procurar palavras.

é grande a alegria
quando se deposita nelas.


silvia chueire

sábado, 23 de fevereiro de 2008

fim da tarde

ao fim da tarde
os olhos, pálpebras semicerradas,
são também crepúsculo,
corpo entregue ao amor.

cores sobre o mundo,
dia, noite,
riso e sussurro.

silvia chueire

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

tocas-me

tocas-me
e és um inesperado rio
a me atravessar
um inesperado sorriso

tocas-me
e para além do desejo
tenho a ternura nas mãos


silvia chueire

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Flores ou facas

Cabem flores ou facas
no meu pensamento.

Fio ou perfume a nascerem
conforme o dia.
Tomo ambos com o mesmo cuidado;

ambos têm uma fraqueza
irrecusável.


Silvia Chueire

sábado, 2 de fevereiro de 2008

contíguos :

pássaros


I

voa um pássaro agudo
contra o céu
da cidade incendiada
seguem-no os olhos
e a pele
no auge do verão

---------------------------

II

meu corpo é um pássaro agudo
sob o céu de verão
mergulha no mar
na vertigem
hoje como se fosse sempre


silvia chueire

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

domingo

um dia pode parecer um ano
se olho para a pujança da mata
a ser invadida pelas casas
as nuvens pesam sobre o morro
e há tanto a dizer

mas o silêncio anda colado ao tempo
e pesa com o domingo


silvia chueire

sábado, 26 de janeiro de 2008

minha

tua lâmina me acaricia o pescoço,
desce-me pelo colo,
toca-me o ventre.

a lâmina do teu desejo
é minha.


silvia chueire

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

dois poemas curtos

última


uma última palavra no ano
martela os minutos
uma palavra esculpida
pelo vento

adeus




teu país



pronunciei ternamente
o nome do teu país
ele era meu
na combustão da tarde



silvia chueire

domingo, 20 de janeiro de 2008

nada fica no tempo

nada fica no tempo
nem a memória do riso
a sacudir-me de puro prazer
quando me falas
nem o absoluto estremecer
do meu corpo
quando me beijas

nada fica

mas enquanto estão aqui
são a razão e o sentido
de tudo


silvia chueire

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

dorme

dorme entre os dedos
a rosa viva
no meio da noite
e os lábios dizem
a palavra impossível
lâmina em meio ao delírio.

no escuro os olhos cantam
uma canção liberta
o corpo desorientado
sabe apenas ser corpo

uma harpa estremece,
embala os cabelos
a irem e virem
e um nome improvável.


silvia chueire

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

mais uma

só mais uma noite
no auge do verão.

não importa se estás surda ou muda,
se as árvores se mexem ao vento,
o ar te queima a paz,
se a angústia te agarra as pernas,
ou mais um ano se vai.

é uma noite apenas.


silvia chueire

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

não espero


eu tinha sentimentos vagos e pensava
que o mundo era assim
não previa a geometria de cada gesto
a expectativa da morte alheia
não estava nos meus planos
- talvez estivesse, disseram-me –

sob as minhas pálpebras
derramavam-se inquietações
aprendi a ter calma
dei-lhes as mãos
dormi com elas

não concebia outro corpo como se fosse meu
perdia-me em baladas noturnas
pelo gosto acre doce
do sol a nascer

vivia cada horizonte diário
cada horizonte, o último

hoje não me evado do silêncio
deixo-me nele
numa nostalgia estúpida do que não

nada espero


silvia chueire

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

um dia


um dia o corpo acende os olhos
e tudo aconteceu
não viu Ipanema aos domingos
e o samba na Lapa

um dia o corpo acorda
acendido por uns olhos
ou pelo mar
e acha graça em si mesmo

um dia o corpo ri desatado
na plenitude de o ser
porque o tempo é uma invenção
da qual ninguém escapa

mas tomamos a vida nas mãos
e a bebemos



silvia chueire

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

tantos


o meu corpo
desdobrado em tantos
quantos quisesses

tantos quantos eu quisesse
no alto das tardes
em que nos amávamos

- com a fúria e a paz
de oceanos –


silvia chueire

sábado, 15 de dezembro de 2007

vício


a falta é um vício
a invadir a pele.
um vazio a cantar sem trégua

chamo por ela
como se apelasse,
a um destino imutável.


silvia chueire

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

o passo adiante


dar o passo adiante
todos os dias.
a náusea causada pelo excesso
a embaraçar-te os pés,
o precipício de cada minuto
a estrangular-te .

o que há de movimento organizado,
aleatório,
ou apenas ansiedade,
no mundo.
nesse excesso gigantesco que é o mundo.

o que há de sem sentido e louco
neste espaço de acasos,
neste espaço de ausências,
de vozes entrecruzadas e surdas,
os desencontros minando tudo.

o que há de vertigem
nas bordas de cada corpo gratuito,
cada minuto afundando-te
na angústia.
nestas horas de impuro silêncio,
sem mãos a te ampararem,
sem olhos a perceberem as mãos.

o que há de repentino terror
no assalto das sensações,
no florescer abrupto dos sentimentos
parados
frente ao humano trêmulo que és,
a desejar a morte.

a morte antes de tudo o mais,
porque a vida é uma impossibilidade constante,
dar o passo adiante, um peso insuportável.



silvia chueire

domingo, 9 de dezembro de 2007

Contextualizar


O poema é aleatório e chama.

Não sei porque chama,
porque arde,
nem como as palavras nascem
na cabeça e nas mãos
que se apressam a segui-la.
Nem como se organizam
as pequenas habitações do olhar,
palpitando sonoras,
vivas,
a me empurrarem para ele.
Não sei o modo do som
a me tomar a voz.

Só sei o relâmpago
a encher as folhas de palavras.
A paixão.


Silvia Chueire



quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

dá-me a tua mão


dá-me a tua mão,
para que eu possa decifrar
contigo o mistério
segredado pela noite,
agarrada aos corpos dos amantes.

este mistério que já nos passou,
cada um a seu tempo;
um sopro,
e se perdeu de nós.

dá-me tua mão,
para caminharmos loucamente
a rir do que se foi
e não nos pesa na memória.

dá-me tua mão,
para esquecermos tudo,
no oceano as cabeças
mergulhadas;
os corpos.


silvia chueire

sábado, 1 de dezembro de 2007

sobre acontecer


os dias são um vazio estranho,
tempo sem significado.

os olhos olham perplexos para a vida,
infamiliares com a ausência de acontecimentos.

chove mas não há ruídos,
faz sol mas não há calor,
fala-se e não se ouve voz,
dão-se passos na imobilidade.
tudo é ar parado,
reincidência de rotinas.

as perguntas teimam e teimam,
a nos beliscarem o corpo.

o que é um acontecimento,
a construção do tempo?


silvia chueire

domingo, 25 de novembro de 2007

pensar



penso em ti
a memória agarrada à minha pele
teu coração de palavras dançando
nos meus braços
teu amor a subir pelas minhas pernas
nossas idéias a derramarem-se das mãos
cada minuto fascinado por nós

pensar em ti é uma inevitabilidade


silvia chueire

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

passou


passou-te pela vida o amor,
pelo corpo,
encrespou-se o mar que eras.

o amor passou-te pelos olhos,
pelas palavras,
apanhou-te inesperado.

ao alto eras um corpo
e pensamentos amorosos,
um só milagre acordado na noite.

guardas nas mãos a memória
da vida te habitando os minutos
estremecidos .


silvia chueire

sábado, 17 de novembro de 2007

neo-real

o poema passeia pela cidade
tropeçando nas pernas dos transeuntes.
deambula cheio de hesitação,
a pensar se o revólver
carregado pelo menino
-e sua vida curta-
estará em algum verso.

a duvidar que a existência
vivida no ápice do desprezo pela vida,
na ponta de uma bala,
contenha em si algum lirismo.
talvez um violento lirismo neo-real
que dá a mão aos dramas mais comuns.

lá os dias são facas.


silvia chueire

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

a dor

a dor é um travo
um cravo na pele
amargo no sangue
espesso a circular
no coração cheio de cansaço

a dor é um cravo
a perfumar a noite
bate a angústia nas vidraças
a fraturar a calma
canta alto na madrugada
de insônias
inunda os nossos olhos
afoga-os
mastiga o sentido da vida


silvia chueire

domingo, 4 de novembro de 2007
















ao modo japonês

flores de cerejeira
sobre o chão
fino traço nipônico

ensaio sobre o belo
a cair

silvia chueire

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

anoitecer

anoitece de todas as maneiras,
a escuridão imiscuída entre as ruas
é um silêncio de ausências e omissões.
caem as casas na cidade desolada,
caem os pensamentos
feito espinhos,
e os homens recolhem-se à melancolia,
à consciência áspera das coisas.


não há redenção no amor
quando a pele a descolar dos ossos
é um vento a invadir cada minuto .


silvia chueire

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

marés

o mar a habitar o corpo
entregue a ti todos os dias
o sonho

o amor entrelaçado às pernas,
entregue ao sonho todos os dias,
o oceano

o sonho a habitar o amor
entregue à vida todos os dias
o corpo

o amor, o corpo,
o sonho, a ir e vir,
o oceano


silvia chueire

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

faca

a dor metida nos teus olhos
é uma faca.

olho-te
- quando não vês –
e espero que se vá a tempestade
que te cresceu nas mãos

se há que sofrer
a mim deviam caber estes dias
a dor não deve ser uma possibilidade
na vida dos filhos

facilmente tomaria para mim
a tua angústia
ver-te sorrir
é todas as coisas nos seus lugares


silvia chueire

sábado, 6 de outubro de 2007

verão

o sol abre o dia,
canta e canta nos meus cabelos
e sobre a pele.
acordo como se fosse ontem a noite
profundamente embalada
pela memória.

há um corpo inquieto
que fala da tua falta
e aconchega-a contrariado
entre os seios
e uns acordes de jazz.

cruzam em mim notas do cello,
uns agudos de violino
junto a frases melancólicas
que as mãos pretendem escrever.

mas o sol é impiedoso,
a tudo descobre e aquece
enquanto azula o mar.
azula-me
e canta uma canção outra.

deixo-me estar em silêncio,
o corpo aquecido
a dizer-me em alta voz:
vem novamente o verão.


silvia chueire

domingo, 30 de setembro de 2007

do poema - fuga


estou sentada
e olho os minutos
atravessados nas pessoas.
olho-os quase descrente
de que o tempo não se desdobre
em palavras ou ações todo o tempo.

as horas são um conjunto ilógico
de pragmatismos, estatísticas,
cidades a desmoronarem,
humanos desencontrados.
o poema foge de nós
dentro da noite.

eu sei, estou sentada e vejo
a fuga para o lugar obscuro
que habitava, antes
que eu o chamasse.
mas há crianças exangues,
bombas, cadáveres.
há silêncio mortal em meio ao sangue.

estou sentada como se fosse imune
e o tempo falasse comigo
a contar-me histórias antigas
para me distrair.
distraio-me de mim mesma.
mas o tempo, o mundo,
batem à porta dos meus olhos,
sem piedade.

e o poema esconde-se
nalgum vão da vida
o poema e o sentimento de mundo.


silvia chueire

quinta-feira, 27 de setembro de 2007






















observo-te

observo-te à distância,
castigado pela angústia,
no esforço de esquecer
que um dia foste livre e amaste.

pensas:
é tarde, nesta idade,
no mundo atônito com a violência,
o amor parece ainda mais ridículo.

e pensas que esqueces tua fome.
e te enganas.

silvia chueire

sábado, 22 de setembro de 2007

não se esquece

não se esquece
o curto corte no tempo
quando o instante alça
vôo inesperado
e nos revela
um corpo e palavras
a resgatarem-nos do silêncio
da noite

silvia chueire

sábado, 15 de setembro de 2007

Do alto do amor

Freqüentemente me esqueço que o mundo
tem a idade do olhar dos homens
para as coisas e as mulheres,
como se fossem deuses, ou baú de brinquedos.
Que as mulheres vivem na oscilação lunar
pisando ora em lâminas,
ora na areia da praia,
em pequenas taquicardias,
a oferecerem o seio ao amante,
ou ao pequenino que alimentam
com olhos mansos.

Freqüentemente me esqueço
da aguda mortalidade nossa.
Nossa, de todas as criaturas,
transfiguradas em pó ou pedra
ou numa árvore qualquer,
sem solenidade.
Apenas porque um dia surge
depois de outro.

Freqüentemente me esqueço
e quero o teu corpo
para amá-lo, abrigar-me nele,
por ele me deixar amar
atravessada de prazer.
Acolhida por ti em luz,
alegria, música
- o desejo atendido,
a atender-te.

Porque do alto do amor
pouco me interessa a questão metafísica da morte,
ou da possibilidade de não estarmos aqui
se o tempo do olhar
não corresponde ao tempo físico.



Silvia Chueire

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Dizer


Diz o teu amor a tocar as pétalas
do fogo que nos lambe os olhos,
e nos enche a alegria de significado.

Diz a tua extrema delicadeza
ao segurá-lo nas mãos,
o medo atravessado no teu sangue.

Diz o teu desejo incendiado junto
ao teu afeto no oceano de palavras
que te ocorrem. Diz a língua que te fala.
Diz.

E me espera.
No mesmo lugar de sempre.



Silvia Chueire

domingo, 2 de setembro de 2007














murmuras

murmuras uma canção aos meus ouvidos
e os meus pensamentos estremecem
na percepção de que o mundo é mais
e as rosas não se explicam.

murmuras a canção
e sei:
é inescapável a viagem.

as águas turbulentas cristalinamente
tentadoras,
a me chamarem:
vem.

silvia chueire

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

o mar vem


o mar vem à areia inevitavelmente,
amorosamente vem à areia.
ora furioso, ora terno,
vem à praia,
ou às rochas,
ou aos recifes.

vem porque é seu destino inarredável
vir,
voltar sempre.

em sua grandeza,
em sua amplidão,
em sua vida magnífica.

o mar é o sujeito de sua sina


silvia chueire

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

DOIS POEMAS CURTOS:

perder-me

perco os olhos no mar
e o pensamento

tudo é confronto e angústia
no largo silêncio
da água



silvia chueire



dia após dia


passa dia após dia
sobre a terra e a pele

não esqueço:
habitas-me
a murmurar as mesmas palavras
sobre o oceano


silvia chueire

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

tu (nós)

tu abrias as portas do mundo
e ele navegava os nossos corpos
escalava as nossas palavras
únicas nas nossas bocas
a língua
trabalhava novos significados
para a vida.

tu ousavas caminhar comigo
sobre as horas como se não fossem tempo
elas a servirem de cenário
para o destino:
nós
nada mais importava
às almas iluminadas
que a vida e suas taquicardias

tu dividias comigo a noite
e os pensamentos da noite
subiam-nos à cabeça e às mãos
como se fossem gestos
as idéias brilhando em nós
pela primeira vez
era sempre a primeira
e última vez
que nos amávamos
sempre


silvia chueire

domingo, 12 de agosto de 2007

esperança


o corpo devaneia entre
as almofadas de seda
e as curvas de fumaça
a atenção pousada na memória
rasga a noite
a lua cheia a emergir das nuvens

passa-se o tempo
e o meu amor não passa

há certa ternura
na mágoa desta (des)esperança



silvia chueire

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

rocinha-ipanema ao fundo













perpendicular

olho o dia em modo perpendicular

as casas dão passos
morro acima as pessoas
dão passos no afã
de sobreviver no caos
entre o sol
e o sal de cada dia

há uma crueldade
na repetição das coisas,
na sensação oblíqua
de imutabilidade

mas afinal tudo muda,
dizem.
e a beleza da paisagem
é inegável.


silvia chueire

terça-feira, 31 de julho de 2007



Este corpo

Olha, digo,
é este o corpo que tenho.
Não é um corpo de arestas.

Pudesses saber agora
em que píncaros,
em que precipícios ele se construiu,
saberias também o que tenho de pássaro.
O que de oceano, tenho.

O que de só carne e sangue,
artérias batendo contra as têmporas,
pequenas taquicardias
neste corpo desconsoladamente humano.
Que não recusa a glória de o ser,
nem sua submissão ao tempo.


Silvia Chueire




sexta-feira, 27 de julho de 2007

pedra é pedra


pedra é pedra
água é água
cidade permanece cidade
humanos são qualquer coisa
que não sei bem

onde está a poesia?
o mundo me olha
com olhos súbitos de desencanto
à luz imprecisa do entardecer


silvia chueire


domingo, 22 de julho de 2007

um só dia


respiro um fio de ar,
equilibro-me parcamente no tempo.
o corpo diz-me num sussurro
sobre o cansaço,
a dor e a memória
que o atam às tuas palavras,
à razão da falta.

suspensa entre as horas e a angústia,
faço de conta que os dias
são um só.

silvia chueire

sábado, 14 de julho de 2007

Dai-me


Dai-me trevas,
com elas construirei luz.

Dai-me o silêncio,
nele eclodirá a palavra,
surpreendente,
flor a sair das águas.

Dai-me o poder de pronunciar
a palavra, de nomear a coisa
que habitará cada verso.
Cantarei uma canção
entre o olhar e a realidade,
uma canção para sempre.

Dai-me o dom de perceber
a poesia pousada no mundo,
na face encantada do mundo,
no seu corpo maltratado.

Dai-me o privilégio
de ouvir a música
que vive nos gestos, no espaço,
no frágil equilíbrio da Terra.

Dai-me mãos e braços
para escrever o que sequer dizemos,
com eles produzirei novos significados
e alçarei vôo.
O vôo sutilíssimo do poema.



Silvia Chueire

terça-feira, 10 de julho de 2007

ao fio da voz


desfez-se o mundo
no assombro da tua voz afiada
cortando a noite.
e caíram todas as coisas:
meu corpo entregue ao teu,
os gestos que te esperavam,
teus olhos pedintes
e braços a encerrarem o amor,
nossas noites indormidas,
os corpos a rirem-se
debruçados no vinho
e na música
- todas as coisas.

ainda te procuro.
vejo-te nos lugares que tomaste para ti,
toco-lhes e encontro a tua ausência.

minha voz nada diz,
as palavras coladas à mágoa
cristalizam-se nos lábios.



silvia chueire

sábado, 30 de junho de 2007

new york city - erik gaugher























o passo adiante

dar o passo adiante
todos os dias.
a náusea causada pelo excesso
a embaraçar-te os pés,
o precipício de cada minuto
a estrangular-te .

o que há de movimento organizado,
aleatório,
ou apenas ansiedade,
no mundo.
nesse excesso gigantesco que é o mundo.

o que há de sem sentido e louco
neste espaço de acasos,
neste espaço de ausências,
de vozes entrecruzadas e surdas,
os desencontros minando tudo.

o que há de vertigem
nas bordas de cada corpo gratuito,
cada minuto afundando-te
na angústia.
nestas horas de impuro silêncio,
sem mãos a te ampararem,
sem olhos a perceberem as mãos.

o que há de repentino terror
no assalto das sensações,
no florescer abrupto dos sentimentos
parados frente ao humano trêmulo
que és,
a desejar a morte.

a morte antes de tudo o mais,
porque a vida é uma impossibilidade constante,
dar o passo adiante um peso insuportável.


silvia chueire

sábado, 23 de junho de 2007

retour a la raison - man ray

























perguntas

qual o destino dos corpos,
pergunto-me,
depois de mastigados pelas horas,
pelos gestos, desde o nascer do sol?
qual o destino dos corpos para além da deterioração,
ou logo antes dela?

qual o destino dos corpos entregues ao amor?
que destino terão depois de deixarem de ser o que são
para transformarem-se num outro
temporário e divino?
qual o destino nostálgico,
a melancolia bruta,
se nunca mais podem ser os deuses que um dia foram?


qual o destino dos corpos abandonados
pelos seus donos
sem propósito ou sentido,
quando nada mais desejam
senão serem o que são
e exercerem-no na sua glória?



silvia chueire

terça-feira, 19 de junho de 2007

ballet dancer- degas

























no desejo

meu corpo sobe nas tuas palavras,
no teu corpo,
alegremente.
dança na palma das tuas mãos
memória e palavras
o mar mergulhado em cada gesto

e morre
e ressuscita
no desejo


silvia chueire

quinta-feira, 14 de junho de 2007

percy thompson
















o sol deita-se

o sol deita-se lentamente
sobre as árvores e as pessoas
numa carícia antiga.
e as arvores e as pessoas deixam-se
dormitar,
embalam-se no calor das vozes
ao longe.

e na luz que se quebra.

silvia chueire

quarta-feira, 6 de junho de 2007



















rubra


há uma rosa rubra na noite
uma rosa de silêncios e segredos

estende-se na madrugada

ninguém sabe das pétalas irisadas
pelo orvalho.

há uma rubra rosa na noite
é tua


silvia chueire

sexta-feira, 1 de junho de 2007





















sobre partir e voltar


partes.
e os meus olhos e ouvidos
ficam a procurar por ti.
o corpo desamparado
inquieta-se,
diz-me coisas inconfessáveis.

voltas .
e é uma festa.
as palavras renovam-se,
os sentidos (re)descobrem o sentido,
o teu sorriso a descer
pelo meu corpo despertado.


silvia chueire

  Sábados   Há sábados que são uma gargalhada, uma exaltação do corpo, dos afetos. Há sábados a voar por aí que nos pertencem de...